8 curiosidades que irão rever conceitos sobre a obesidade

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São Paulo, novembro de 2020 – Atualmente a desinformação é um dos principais problemas da sociedade e uma das responsáveis por gerar estigmas e até mesmo preconceitos em diversos contextos, nas questões de saúde ou mesmo no comportamento da sociedade. E isso não poderia deixar de acontecer quando se aborda o tema obesidade, pois muitos acreditam que as pessoas nessa condição estão dessa forma ou por falta de vontade ou porque querem. Outros até arriscam um palpite, ao dizerem se tratar de uma escolha de vida.

Na avaliação de Sophie Deram, PhD em Nutrição, especialista em distúrbios alimentares e autora do best seller “O Peso das Dietas”, essa forma de pensar dos brasileiros em geral é ultrapassada, se comparada com os argumentos amplamente debatidos em outros países, no tocante à obesidade. “É uma questão de saúde, causada por muitos fatores, como genéticos, ambientais, socioculturais, biológicos e emocionais. Torna-se muito errado dizer que é falta de força de vontade”, repudia.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o planeta alcançará 2,3 bilhões de pessoas com obesidade até 2025. Para Sophie, essa projeção mostra que o problema foge do controle do paciente. A especialista também destaca uma mudança de conceito por parte da população em relação ao problema, com base na pesquisa “evidência de menos culpa e mais aceitação da obesidade”, apresentada na ObesityWeek 2020. O estudo sugere que os americanos começaram a entender que o excesso de peso é mais uma condição médica e menos como falha pessoal.

Para auxiliar na mudança de paradigmas e da visão em relação à obesidade, Sophie aponta oito pontos que as pessoas precisam saber sobre o tema. Confira:

1 – O Foco deve estar na saúde e não no peso
Acreditar que a obesidade está apenas ligada ao excesso de peso é um equívoco que muitos cometem. Os números que vemos na balança são resultados de nossos hábitos e comportamentos, mas nem tudo está sob o nosso controle. Ao invés de focar na busca pelo corpo perfeito, devemos buscar o ganho de saúde.

2- Dietas restritivas
Sophie já pontuou inúmeras vezes que a privação de comida não ajuda no combate à obesidade, na verdade pode piorar e muito a situação de quem está lutando contra esta doença. “As dietas restritivas alteram nosso metabolismo, geram mais desejo por comida e podem contribuir com o excesso de peso. Em vez de restrição, o melhor é transformar a relação com a comida”, pontua a especialista.

3 – Existem corpos saudáveis de todos os tamanhos e formas
Muitas pessoas se guiam pelo o que acreditam ser o “corpo ideal”. A busca incansável para atingir este objetivo pode resultar em transtornos alimentares e problemas com a autoestima. Sophie ressalta que a magreza não é sinônimo de saúde e que sim, podem existir pessoas saudáveis de todos os tamanhos.

4 – Participação de todos
As causas que levam à obesidade são inúmeras, podem estar relacionadas a fatores genéticos, ambientais, socioculturais, biológicos, emocionais. Por esse motivo é essencial que profissionais de saúde, educadores, governantes, a indústria e a sociedade, como um todo, participem da busca por uma mudança de paradigmas e hábitos alimentares.

5 – Conectar-se com o corpo
A agitação do dia a dia, o excesso de compromissos e tarefas podem desviar a atenção daquilo que mais importa, o nosso corpo. Precisamos dedicar mais tempo a nós mesmos, escutar e respeitar os nosso limites: “Identificar as sensações corporais e as mensagens internas que o corpo envia pode contribuir para um estilo de vida mais saudável”, ressalta Sophie.

6 – Auxiliar, e não controlar o paciente
É comum que pacientes que sofrem com a obesidade decidam procurar ajuda médica quando já estão vulneráveis e desgastados por métodos que não trouxeram resultados. Por este motivo a abordagem do profissional pode fazer toda a diferença e contribuir para que haja sucesso ou não no tratamento. “Os profissionais devem adotar uma postura de apoio, definindo junto com o paciente o que ele deseja mudar, para que desenvolva autonomia e capacidade de autocuidado”, afirma a nutricionista.

7 – Valorizar o ato de cozinhar
A falta de tempo tem feito com que cada vez mais pessoas optem por refeições rápidas e muitas vezes processadas, cozinhar é um hábito que vem se perdendo ao longo do tempo. Sophie ressalta que preparar a própria refeição pode estreitar nossa relação com a comida e aumentar o consumo de alimentos naturais.

8 – Fazer as pazes com a comida e o corpo
Se alimentar não deve ser associado a culpa e sim ao prazer. Sophie assegura que podemos comer de tudo, honrando nossas vontades e prestando atenção aos sinais de fome e saciedade. O autoconhecimento e a aceitação do nosso corpo como ele é são ótimas alternativas para uma vida mais saudável e sem cobranças.

Manifesto sobre a obesidade
Os temas apontados pela especialista serão abordados no próximo sábado (21/11), durante o “Manifesto para um novo olhar sobre a obesidade” no formato online. O evento debaterá com um time de especialistas um tratamento mais humano e digno para as pessoas que sofrem com esta condição.

Sobre Sophie Deram: Autora do livro “O Peso das Dietas”, é engenheira agrônoma de AgroParisTech (Paris), nutricionista franco-brasileira e doutora pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) no departamento de Endocrinologia. Além de especialista em tratamento de Transtornos Alimentares pelo AMBULIM – Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP, é coordenadora do projeto de genética e do banco de DNA dos pacientes com transtorno alimentar no AMBULIM no laboratorio de Neurociencias.

 

 

 

 

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