O desafio de ser pai e criar filhos para Deus

25

“Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.
Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Deuteronômios 6:5,6).

“E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”. (Efésios 6.4).

“Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu galardão” (Salmo 127: 3).

As crianças, seja em que família for, serão seguramente – não principalmente – um problema e uma tarefa. Para que signifiquem alegria, devemos querê-las e amá-las. “Fazer da casa um ninho e não uma jaula” começa antes daqueles primeiros toques e olhares entre o casal e, em seguida, sobre o filho que acaba de nascer, disse Lya Luft.

Ser pai é ser amigo, sacerdote, parceiro, irmão e companheiro de jornada. É um privilégio que Deus confere ao homem, apesar de a responsabilidade ser tão grande quanto o privilégio. “Filhos não se perde. na rua, e sim em casa”, disse a professora e palestrante Marlene Guerrato.

Como pai que sou, sempre preocupei-me com a saúde integral dos meus filhos. Isso porque não basta termos filhos fisicamente saudáveis, por um lado, e espiritual e emocionalmente doentes, por outro.

A Bíblia nos diz que os filhos são como flechas nas mãos do guerreiro, que é o pai (Salmo 127:4). Se o pai é o guerreiro, o destino das flechas (filhos) está em suas mãos. Os pais que exercem essa missão com consciência jamais negligenciam o cuidado que devem ter com cada filho.

Sempre que trato desse tema, algumas perguntas são inevitáveis. Por que a inauguração da maternidade e da paternidade quase sempre gera crise? Os pais são os responsáveis quando o filho se perde, fazendo a opção por uma vida imoral? É possível criar filhos segundo a vontade de Deus, vivendo em uma sociedade onde os valores estão invertidos? O propósito desta lição é responder essas e outras perguntas que com certeza inquietam o coração de muitos pais. Lembre-se, educar filhos é um grande desafio, mas também é um privilégio, porque estamos “criando filhos para Deus”.

Uma pessoa estuda anos para ser médico, advogado, dentista, administrador de empresa, engenheiro etc. Ser pai, ser mãe, é uma missão que exige mais do que qualquer outra profissão, porém, quanto tempo o casal investe estudando sobre essa missão antes de gerar o primeiro filho? A maioria dos casais não sabe quase nada sobre “paternidade e maternidade”, quando chega o primeiro filho. Essa ignorância e inexperiência é uma das causas da crise que muitas vezes estremece o relacionamento chegando, às vezes, ao divórcio.

Um dos maiores exemplos como pai na Bíblia, foi José, pai adotivo de Jesus. Não houve e nem haverá um homem para o qual Deus olhou e disse: “Esse homem pode ser o ‘pai adotivo’ do meu filho”. Deus não entregaria o seu único filho nas mãos de qualquer um para ser educado, treinado, pastoreado. O sucesso da missão de José como pai, com certeza teve como causa a prática de princípios que são imprescindíveis.

A Bíblia diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22:6).

Verdades que todos pais precisam saber sobre como educar filhos com sucesso:

1. Presença vem antes de presentes. Alguns estudos mostram que, em média, os pais gastam menos de 17 minutos por semana conversando com seus filhos adolescentes.

Talvez este seja o maior desafio para todos os pais: estarem disponíveis para os filhos. Estar disponível é difícil porque todos temos muito o que fazer, e um dia é pouco para tantas tarefas. Porém, como disse Goethe: “As coisas que mais importam nunca devem estar à mercê das coisas que menos importam”.

Você já observou que as coisas mais importantes da vida raramente são urgentes? O tempo é a moeda de maior valor que os pais devem investir na vida dos filhos. Em Deuteronômios 6:7, o Senhor diz que os pais deveriam investir tempo na vida dos filhos ensinando a Palavra “…sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te”.

Houve um pai que ao entrar na quarto do seu filho de 8 anos, o pegou de joelhos fazendo a seguinte oração: “Oh Deus, faz de mim uma TV, para que o meu pai passe tanto tempo comigo como ele passa assistindo seus filmes preferidos; para que ele ria comigo, como ele ri com os seus programas de humor, para que ele se preocupe comigo, como ele se preocupa quando a TV quebra. Oh, Deus, faz de mim um aparelho de TV”.

Uma pergunta aos pais: Quanto tempo com qualidade vocês investem nos filhos?

2. Relacionamento vem antes de regras. Quando os pais não se preocupam em construir um relacionamento, os filhos não levam muito a sério as regras.

O melhor amigo(a) dos filhos deveria ser os pais, a Bíblia diz: “O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão” (Provérbios 18:24).

Como definir um amigo? Amigo é aquele que ouve, compreende, respeita, é solidário, confia, inspira confiança e compartilha sonhos.

Quando os pais não se preocupam em ser amigo dos filhos, eles vão buscar fora aquilo que não encontram dentro de casa. Aí está o perigo. Se você é pai, você ouve e compreende seus filhos?

Uma filha com 13 anos disse ao pai: “Estou gostando de um jovem na igreja, ele tem 19 anos e quer vir falar com o senhor”.

Na sua opinião, como o pai deveria responder para essa filha pré-adolescente?

A maneira como os pais respondem e agem diante de uma situação como essa, perdem ou ganham a filha ou o filho. Os pais bem-sucedidos na educação dos filhos são proativos.

É triste quando um filho diz: “Meu pai nunca se preocupou em ser meu amigo, ele tem tempo para tudo e todos, menos para me ouvir”.

Algumas perguntas para você refletir:

  • É comum você participar de programas elaborados pelo filho, como uma pescaria, um jogo de futebol, um campeonato de pingue-pongue, um passeio ecológico etc?
  • Os amigos do seu filho são bem recebidos por você quando vão à sua casa?
  • O seu filho tem liberdade para conversar sobre qualquer assunto com você?
  • Você dá atenção especial quando percebe que o seu filho está vivendo um momento turbulento em alguma área da vida dele?
  • Você já chorou com o seu filho algum dia?
  • As escolhas e as decisões que o seu filho toma são influenciadas por você?

Lembre-se que, assim como leva um bom tempo entre plantar uma semente e ter uma grande árvore, construir um relacionamento de amizade com o filho também requer tempo, paciência e dedicação.

Um escritor desconhecido expressou o poder da influência que os pais exercem sobre as crianças, determinando o seu destino:

  • Se uma criança vive com críticas, aprenderá a condenar.
  • Se uma criança vive com segurança, aprenderá a ter fé em si mesma.
  • Se uma criança vive com hostilidade, aprenderá a ser hostil.
  • Se uma criança vive com aceitação, aprenderá a amar.
  • Se uma criança vive com medo, aprenderá a ser apreensiva.
  • Se uma criança vive com reconhecimento, aprenderá a ter uma meta.
  • Se uma criança vive com aprovação, aprenderá a gostar de si mesma.
  • Se uma criança vive com ciúme, aprenderá a sentir-se culpada.
  • Se uma criança vive com amizade, aprenderá que o mundo pode ser melhor para se viver.

O seu filho pode dizer hoje: “Meu pai é o meu melhor amigo ou a minha mãe é minha melhor amiga?”.

Repensar a família a partir do exercício da paternidade e maternidade responsável é reconhecer que mais importante do que deixar uma herança é deixar um legado para a próxima geração.

Que Deus o abençoe!

Pr. Josué Gonçalves

Texto adaptado e extraído dos artigos “O desafio de criar filhos para Deus” e “O desafio de ser um pai ideal”, ambos publicados no site Pleno News.