As festividades do tempo de Jesus – Por Mario Eugenio Saturno

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foto ilustrativa
Muita gente que se afirma cristã, assim o faz baseado em concepções desprovidas de conhecimento histórico do tempo em que viveu Jesus, bem como de seu contexto cultural, linguístico e religioso. É preciso ter em mente que Jesus falava aramaico e hebraico e devia saber egípcio, uma vez que deve ter interagido com as crianças daquele país, e ainda, provavelmente, grego e latim, as línguas dos dominantes daquela região.
 
O povo somente tinha o Antigo Testamento, repleta de histórias de vingança, pena capital para muitos pecados, extermínio de povos, etc. É o domínio da Lei de Talião. Pode-se pensar que a palavra “talião” designe o nome de alguém, mas vem do adjetivo tal – do latim talis-, indicando o que significa essa lei, ou seja, tal ofensa, tal punição, isto é, a cada ofensa feita corresponde uma punição equivalente. É também conhecida por “olho por olho, dente por dente” (Ex 21,25), e ainda encontramos “fratura por fratura” (Lv 24,19), “vida por vida” (Dt 19,21).
 
Apesar de parecer vingança, ela estabelece um limite para a punição, a execução da justiça, que deveria ser feita diante de testemunhas e por um juiz. A lei do talião foi aos poucos abrandada, substituindo a punição física por algum tipo de compensação.
 
Apesar disso, encontramos traços da lei do amor no Antigo Testamento. Para começar, no livro do Levítico lemos: “Não te vingarás e não guardarás rancor contra os filhos do teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor” (Lv 19,18). No livro do Deuteronômio se lê: “Amarás a Javé teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força” (Dt 6,5). Porém, só com Jesus surgiu outro mandamento mais exigente: “Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos” (Mt 5,45-44).
 
No tempo de Jesus, três festas exerciam um papel importante: Páscoa, Pentecostes e Tendas. São as festas de peregrinação em que o povo se reunia para celebrar os grandes feitos do Senhor, libertador do seu povo. Cada uma delas durava uma semana inteira. Os peregrinos viajavam até Jerusalém em caravanas para evitar assaltos ou surpresas desagradáveis. Desde criança, Jesus participava dessas festas (conforme Lc 2,41-50).
 
A festa da Páscoa era a ocasião para celebrar a libertação da escravidão do Egito. Foi durante essa festa que Jesus instituiu a Eucaristia, foi preso e morto.
 
A festa de Pentecostes, celebrada cinquenta dias depois da Páscoa, era o momento para renovar a Aliança que Deus fizera com o seu povo no monte Sinal. Lucas coloca no dia dessa festa a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos (At 2).
 
A festa das Tendas era a mais espetacular de todas: para celebrá-la cada família construía nos arredores de Jerusalém uma cabana de folhagens, na qual morava por uma semana. Com isso, relembravam que Deus fizera seus antepassados morarem em cabanas quando saíram do Egito. Á noite, os quatro candelabros de ouro eram acesos no Templo e o povo saía em procissão levando tochas, iluminando assim a cidade inteira. Foi durante essa festa que Jesus declarou: Eu sou a luz do mundo (Jo 7,12).
 
Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.