Gula: Sobre o pecado e como vencê-lo

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Segundo a religião cristã, a gula é um dos sete pecados capitais e está entre as principais atitudes e comportamentos que os que buscam ser virtuosos devem evitar. Associada a um dos ‘prazeres da carne’, refere-se a quem come e bebe demais, mesmo que já esteja satisfeito, e para alguns está relacionada ao egocentrismo. Fora do campo religioso, a gula tem sido estudada no campo da psicologia, filosofia e antropologia e trata-se de uma desordem psíquica, emocional e até mesmo social. Tanto a religião quanto a ciência concordam que a gula traz muitos malefícios ao glutão.

O filósofo Fabiano de Abreu teve publicada uma de suas mais recentes teorias sobre o tema no portal ‘Seu Amigo Guru’, do grupo Resiliência Humana, um dos maiores da lusofonia de auto-ajuda e reflexões. Ele acredita que a gula está relacionada a todos os outros considerados ‘pecados capitais’ de diversas formas, e que pode ter sua origem em questões emocionais: “Para aqueles que adoram se jogar no prazer de comer, as questões emocionais geralmente são deixadas de lado, e eles acabam, literalmente juntando a fome com a vontade de comer. Se você busca na comida uma fuga para os seus problemas emocionais, ou assalta a geladeira de madrugada buscando um prazer momentâneo que te acalmará a ansiedade, algo pode estar errado com você”. 

Fabiano mostra que a gula, além de desviar o ser humano do ‘caminho da virtude’, também é prejudicial em diversos aspectos: “A gula é a fome que não sacia, é a vontade descontrolada de comer ou beber algo. É um desejo que vem como uma força quase incontrolável e quando se evidencia o descontrole, ela é capaz de agredir o nosso corpo, a nossa mente e, a maneira como somos vistos na sociedade.

Características de um glutão 

Segundo a teoria de Fabiano de Abreu, existem quatro características que são comuns a todos os gulosos e que explicam tanto o comportamento compulsivo como sua origem

1-A Gula como consequência da insatisfação pessoal

O estresse, a rotina estafante e o tédio levam a uma insatisfação pessoal e a um desequilíbrio emocional que escraviza aquele que busca resolver todas as suas questões emocionais comendo. É como se o indivíduo quisesse engolir os seus problemas, todos de uma só vez, com o intuito de fazer com eles desapareçam da sua frente.

E nessa toada, aquele que pensa estar faminto, revela total falta de controle frente as suas reais necessidades de alimento, tanto quando se observa a velocidade que come, engolindo a comida, quanto a sua falta de discernimento e limite da quantidade, para muitos absurda, do que ele consome.

A gula, nesses casos, passa a ser a satisfação do insatisfeito. O insatisfeito crônico revela um desejo exacerbado e incontrolável de possuir, de sentir prazer de maneira fácil e rápida e, é nesse momento, que ele se revela “guloso”.

2 – Gula e paixão descontrolada

Geralmente essa necessidade ávida por comer tudo que se vê pela frente se revela em pessoas extremamente apaixonadas. A paixão ao longo da história sempre é mencionada como um dos principais motivos de queda até dos seres humanos mais poderosos que já passaram por esse mundo.

A própria Igreja Católica associou a gula com a paixão desenfreada, instituindo o jejum como forma de controlá-la. 

3-Vícios e Virtudes

Dominar os prazeres da carne sempre foi extremamente difícil para os homens, mas alguns já conseguiram vencer as fraquezas do instinto e superar os vícios. Quando passamos a nos alimentar em desequilíbrio, desequilibramos também a nossa saúde e nos sentimos pesados.

Com o passar do tempo o peso fica maior, não apenas esteticamente, na balança, mas emocionalmente. Os excessos acabam escondendo uma profunda falta, e essa falta, é reflexo da insatisfação e do desgosto que o individuo sente pela própria vida.

A gula pode levar em fases subsequentes a alguns vícios: Fumar, consumir bebidas alcoólicas, roer as unhas, usar drogas, morder tampa de caneta ou lápis, mordiscar as golas das camisetas, entre outras atitudes passivas e compulsivas, de forma viciosa, que estão ligadas diretamente a uma doença psicológica derivada da ansiedade.

4-A gula está ligada a tudo

Na visão do filósofo, a relação da gula com os outros chamados pecados capitais é profunda:

Inveja — A gula é a inveja da saúde. Quando o guloso percebe o bem-estar daqueles que se cuidam, fazem dieta e tem aquilo que ele queria ter, isto o faz afundar ainda mais na gula, consolando-se de nunca alcançar a boa forma do outro ou a sua saúde e qualidade de vida.

Preguiça — A gula é a preguiça de jejuar. A falta de ter o que fazer leva o preguiçoso a comer mais. É um bom passatempo para ele.

Avareza — É o ato de comer tudo para não deixar para o próximo. A falta de compaixão pela necessidade alheia, colocando a sua necessidade a cima da necessidade dos outros.

Luxúria — Costumam dizer que a gula é a mãe da luxúria. Deixar-se dominar pela paixão da comida e viver a experimentar os variados pratos e guloseimas. O ato de comer até passar mal.

Ira — A raiva pode ser descontada na comida. A gula é usada por quem tem ira para descontar sua raiva ou descontentamento e não ter que fazer isso de fato a quem ou àquilo que o deixou irado.

Orgulho ou vaidade — A consumo exagerado como demonstração de status e poder financeiro.

A necessidade do guloso em frequentar constantemente bons restaurantes e usufruir dos prazeres da boa mesa se deleitando com guloseimas requintadas que sustentam a sua aparência de bem-sucedido.

Vencendo a gula

O filósofo aponta que para vencer a gula primeiro é preciso vencer a ansiedade: “A mastigação alivia a ansiedade, devido ao fato do nosso cérebro primitivo enviar a informação de satisfação pelo ato de comer, pois, somos predadores. Para aqueles que são movidos pela gula, comer pode ser o momento de distração necessário para não pensar nos problemas que, para eles, são insolúveis. Fabiano traz sete passos para vencer a gula através de auto-análise:

Pense : Eu preciso de ajuda? Se a resposta for um sonoro SIM, então não perca mais tempo e saúde e busque a ajuda de profissionais, tanto no campo da psicologia e terapias alternativas, quanto de um “personal” ou academia para te ajudar nas atividades físicas que o ajudarão.

Busque fazer coisas que você realmente sinta prazer, mas que não estejam atreladas ao ato de comer, coisas que te elevem a autoestima e te façam sentir prazer em viver.

Crie metas de curto a longo prazo para alcançar as mudanças que deseja, tanto no campo emocional quanto no físico.

Desenvolva o hábito de beber água sempre que sentir vontade de comer. Com o passar do tempo essa prática começará a te ajudar a diminuir a quantidade de alimento que você consome diariamente.

Pesquise mais sobre a alimentação saudável. Existem muitos alimentos saborosíssimos e que fazem muito bem a saúde, adicione todos eles ao seu novo estilo de vida.

Evite a tentação de comprar itens desnecessários no supermercado e de deixar a geladeira sempre cheia. Além de muitas vezes levar ao desperdício, esse hábito alimenta a sua compulsão. Mude isso.

Tente ocupar a mente e o corpo. A preguiça deve ser vencida diariamente.

Comparação com a borboleta para justificar a inveja e os invejados. Vale a pena! 
Em anexo crónica completa (obs: os anexos são crônicas e não release. Caso deseje o release, retornar este email com o pedido)