Dieta com horários irregulares aumentaria o risco de morte em infartados

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Ter hábitos alimentares irregulares ao longo do dia pode elevar o risco de morte em quem já sofreu um infarto agudo do miocárdio. É o que sugere um estudo publicado no European Journal of Preventive Cardiology, o primeiro a associar o horário das refeições ao prognóstico do ataque cardíaco.

O levantamento incluiu 113 pessoas com idade média de 70 anos, todos tratados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, no interior de São Paulo. O padrão da dieta foi analisado com questionários, aplicados durante a admissão no setor de terapia intensiva da instituição.

Quem comia de maneira irregular no dia a dia teve uma probabilidade até cinco vezes maior de manifestar outro infarto ou dor no peito durante a internação e em 30 dias depois da alta – período de acompanhamento do trabalho. Dentre os que faleceram, 58% não tomavam café da manhã, 51% jantavam tarde e cerca de 40% costumavam combinar os dois hábitos pelo menos três vezes na semana.

Maus hábitos e risco cardíaco

São necessários mais estudos para entender e confirmar os achados. Até porque essa investigação é apenas observacional, ou seja, compara um fator de risco e um desfecho, sem apontar causas para a relação.

Já se sabe, contudo, que a alimentação tem um papel importante na saúde cardiovascular, e que uma dieta repleta de gordura saturada, sódio, açúcar e itens ultraprocessados está vinculada a males como diabetes e hipertensão, que levam ao infarto.

Além do conteúdo do cardápio, que já é um consenso, o horário em que se come também parece importar para a saúde – e as evidências sobre o tema estão ganhando força. O ato de pular o café da manhã, por exemplo, está associado a um aumento no risco de desenvolver diabetes tipo 2.

Jantar perto da hora de dormir, por sua vez, não raro piora a qualidade do sono e atrapalha o metabolismo, o que influencia no aparecimento de doenças crônicas que ameaçam o peito. Há também um aspecto comportamental, pois os dois costumes avaliados no estudo estão ligados a hábitos que podem bagunçar o bem-estar físico, como acordar tarde e beliscar guloseimas para matar a fome durante o dia.

“Trata-se de uma questão que influencia no pior prognóstico para esses pacientes”, concluiu Guilherme Neif Vieira Musse, médico e autor do trabalho, em comunicado à imprensa.