Sri Lanka declara toque de recolher após violências entre cristãos e muçulmanos

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Uma cidade perto de Colombo, capital do Sri Lanka, foi submetida a um toque de recolher pela polícia neste domingo, após confrontos entre muçulmanos e cristãos, duas semanas após os ataques jihadistas que mataram 257 pessoas neste país do sul da Ásia.

O toque de recolher foi imposto para prevenir uma escalada da violência em Negombo, localizada ao norte de Colombo, disse um oficial da polícia à AFP.

Durante os ataques suicidas no domingo de Páscoa, cem pessoas morreram no ataque a uma igreja nesta cidade.

“Duas motocicletas e um riquixá (veículo tradicional de duas rodas) foram danificados durante os distúrbios”, acrescentou.

“Declaramos um toque de recolher para acabar com a violência”, especificou.

Não há informações imediatas sobre possíveis vítimas.

O principal aeroporto internacional do país está nesta área, mas a polícia disse que o tráfego aéreo não foi perturbado pela situação.

Segundo a polícia, está em curso uma investigação sobre esses confrontos, o primeiro entre muçulmanos e cristãos desde os ataques de Páscoa em três igrejas e três hotéis de luxo, neste país predominantemente budista.

Após os ataques de 21 de abril, reivindicados por um grupo extremista local, as autoridades declararam estado de emergência e ampliaram os poderes da polícia e do exército para facilitar a prisão de suspeitos.

Cerca de 150 pessoas foram presas até agora.

O Sri Lanka também expulsou 600 estrangeiros, incluindo 200 clérigos islâmicos.

O ministro do Interior, Vajira Abeywardena, explicou que esses clérigos entraram ilegalmente no país e que, nas operações das forças de segurança após os ataques, eles perceberam que seus vistos haviam expirado e foram multados e expulsos do país.

“Considerando a situação atual no país, revisamos nosso sistema de vistos e tomamos a decisão de reforçar as restrições de visto para professores religiosos”, explicou Abeywardena.

“Entre os expulsos, havia cerca de 200 pregadores islâmicos”, acrescentou.

O cérebro dos ataques a igrejas e hotéis que deixaram 257 mortos e cerca de 500 feridos era um clérigo muçulmano do Sri Lanka que morreu neles e que se sabe que viajou para a Índia, onde estabeleceu contato com os extremistas.

O ministro não informou a nacionalidade dos expulsos, mas a polícia explicou que muitos dos que tiveram seus vistos vencidos eram de Bangladesh, Índia, Maldivas e Paquistão.