Publicada em 28/07/2017 às 21:39

Cientistas se unem contra devastação dos Corais da Amazônia

As primeiras fotos e vídeos do recife foram capturados no início deste ano, quando o Greenpeace levou uma equipe de especialistas para a área em seu navio, o Esperanza.

São Paulo, 28 de julho – Cientistas, ambientalistas, exploradores e influenciadores de todo o mundo assinaram uma Carta em Defesa dos Corais da Amazônia, destacando o significado do recife para a biologia marinha e expressando sua preocupação com os riscos que a exploração petrolífera representa para a região.

Resultado de imagem para Corais da Amazônia

Do Brasil, assinam a Carta cientistas ligados a áreas de Clima, Oceanografia, Biodiversidade e Biologia Marinha, como o climatologista Carlos Nobre, ex-secretário do Ministério de Ciência e Tecnologia e ex-presidente da Capes; o físico e membro do IPCC Paulo Artaxo; além dos oceanógrafos Ronaldo Francine, da UFRJ, e Nils Asp, da UFPA, que fizeram parte da equipe que assinou o estudo publicado na revista Science reconhecendo o recife de corais, esponjas e rodolitos amazônico e que participaram da expedição que registrou as primeiras imagens do ecossistema.

Assinam ainda referências mundiais como o economista indiano Pavan Sukhdev, líder do estudo TEEB (A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade, em inglês), a oceanógrafa americana Silvia Earle, fundadora e presidente da Mission Blue, e os professores britânicos Jason Hall-Spencer (professor de Biologia Marinha da Universidade de Plymouth) e Murray Roberts (professor de Biologia Aplicada Marinha, da Universidade de Edimburgo).

Em relação à carta, Helena Spiritus, da campanha Defenda os Corais da Amazônia do Greenpeace, afirma: "Há pouca evidência no plano emergencial das empresas de que a BP e a Total estão levando a sério o risco de um derramamento, e sabemos por uma experiência dolorosa como eles são prejudiciais. Este projeto está em águas mais profundas do que o desastre da plataforma Deepwater Horizon, que destruiu o Golfo do México em 2011, e a BP e a Total ainda não demonstraram que têm a capacidade de lidar adequadamente com um derramamento neste precioso ecossistema. Além da ameaça ao recife, as comunidades costeiras do Amapá também poderiam ser afetadas em seus meios de subsistência".

As primeiras fotos e vídeos do recife foram capturados no início deste ano, quando o Greenpeace levou uma equipe de especialistas para a área em seu navio, o Esperanza. A equipe mergulhou 220 metros debaixo d'água em um mini submarino, e cientistas brasileiros estabeleceram que o recife é muito maior do que o pensado originalmente. Estima-se que apenas 5% da área concebida inicialmente tenha sido documentada até agora e os ecologistas marinhos sugeriram a possibilidade de encontrar novas espécies para a ciência.

A empresa francesa de petróleo Total planeja perfurar já neste ano, e seu bloco mais próximo fica a apenas 8 km dos Corais da Amazônia. A BP detém 30% do projeto e planeja sua perfuração para  2018. O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), responsável pela emissão de licenças ambientais para perfuração, está atualmente no processo de decidir se concederá as licenças às companhias de petróleo. Assim que isso acontecer, elas já poderão começar a perfurar.

O Greenpeace recebeu apoio de mais de um milhão de pessoas em todo o mundo para a sua campanha que exige que a Total e a BP desistam de seus planos de perfuração de petróleo. A modelagem de dispersão do óleo em caso de derramamento indica que ele poderia atingir o recife amazônico, o que é causa de preocupação entre as comunidades locais, científicas e ambientais.

Autor: ASSESSORIA
Fonte: Jornal Cristão

Comente com o Facebook