Publicada em 28/05/2018 às 17:27

Alvo do Gaeco recebeu R$ 7 milhões em emendas desde 2015

Guilherme Maluf (PSDB), Romoaldo Júnior (PMDB) e Dilmar Dal'Bosco (DEM), que juntos contribuíram com R$ 4,4 milhões, ou quase 60% dos recursos oriundos de emendas destinadas aos cofres da entidade.

Doze deputados estaduais apresentaram desde 2015 mais de R$ 7 milhões em emendas impositivas para viabilizar eventos promovidos pela Associação Casa de Guimarães, alvo da Operação Pão e Circo, deflagrada nesta semana pelo Gaeco.

Os líderes nesse quesito foram os deputados Guilherme Maluf (PSDB), Romoaldo Júnior (PMDB) e Dilmar Dal'Bosco (DEM), que juntos contribuíram com R$ 4,4 milhões, ou quase 60% dos recursos oriundos de emendas destinadas aos cofres da entidade.

O levantamento, feito pelo MidiaNews nos registros do Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças (Fiplan-MT), considerou o período em que passou a vigorar a Emenda Constitucional nº69/2014 - que instituiu uma controversa reserva de 1% da Receita Corrente Líquida do Estado para o pagamento obrigatório de indicações parlamentares.

Entre os eventos realizados pela Casa de Guimarães com essa ajuda, o mais expressivo, ao menos em termos financeiros, foi o "Chapada Encantada", que levou decoração natalina à praça central de Chapada dos Guimarães, além de oficinas de arte e música. As sete emendas que bancaram a programação somaram R$ 2.289.690,00.

A promoção de atrativos turísticos e culturais de Mato Grosso durante as Olimpíadas de 2016, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), foi destinatária de quatro emendas que totalizaram R$ 1.085.000,00.

Das 29 emendas apresentadas de 2015 a 2018, a mais robusta ficou a cargo do deputado Ondanir Bortolini (PSD), o Nininho: R$ 600.000,00 para apoiar a realização da Feira Internacional do Turismo, a FIT Pantanal de 2017.

Em 11 dos 12 eventos analisados, a reportagem considerou apenas os valores que constam no Fiplan como efetivamente pagos e não apenas como empenhos (a reserva orçamentária para eventual pagamento). Mas um deles, mesmo fora dessa classificação, foi levado em conta por ser o mais recente projeto assumido pela associação.

Trata-se de um termo de colaboração firmado entre a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SEDEC) e a Casa de Guimarães, com previsão de destinar por três meses a gestão do novo complexo turístico da Salgadeira à entidade, a um custo de R$ 945.999,14.

Seis emendas foram propostas para bancar integralmente a atividade, sendo a maior delas de autoria do deputado Wilson Santos (PSDB): R$ 391.288,86.

Os dados do Fiplan mostram que a participação dos deputados resultou em um total de R$ 7.290.559,00 em recursos públicos para a entidade -ou 55% dos R$ 13.040.559,24 pagos pelo Governo do Estado à associação, de 2015 a 2018.

deputados casa guimarães

Pão e circo

Na terça-feira (23), o Gaeco deflagrou uma operação que cumpriu mandados de busca e apreensão em dois endereços da Casa de Guimarães, em Cuiabá e em Chapada.

O objetivo, de acordo com nota encaminhada à imprensa, era "desarticular suposta organização criminosa instalada para desviar recursos públicos", em contratos com o governo do Estado, entre 2011 e 2018.

"Além do crime de constituição de organização criminosa, também há indicativos da prática de peculato, falsidade ideológica, fraude em licitações e lavagem de capitais", dizia a nota.

 

Em entrevista ao MidiaNews, a gerente-executiva da associação, Erika Abdala, disse não havia obtido acesso aos autos da investigação, mas afirmou que a entidade atua "da melhor maneira possível".

 

Autor: midia news
Fonte: midia news

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